Que bom seria se você fosse pobre de espírito.
Não pobre de ideias, não pobre de argumentos, não daquele pobre que se encolhe diante do mundo. Pobre de espírito é outra coisa: é o homem que entra num cômodo e não sente necessidade de preenchê-lo com a própria voz. É a mulher que discorda e ainda assim pergunta. É quem carrega uma convicção sem transformá-la em arma.
Há uma espécie de pessoa que, quanto mais aprende, mais acha que já sabe tudo. Que, quanto mais acumula, menos consegue receber. Que, quanto mais se enche de certezas, menos consegue surpreender-se. Esse não é o pobre de espírito.
O pobre de espírito é aquele que chega diante de qualquer coisa grande, de qualquer mistério, de qualquer outro ser humano, e sente que ainda tem muito a aprender. Que bom seria se você fosse assim. Porque é exatamente dessa pobreza que nasce a única riqueza que não se perde.